Arquivo de Abril 21st, 2010

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Abr
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Início da Narração e Consílio dos Deuses


NARRAÇÃO

Após a Dedicatória, entra o narrador na narração da acção central: a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama.
A narração vai ser feita por um narrador heterodiegética ou não participante, e será, pois, uma narração da 3ª pessoa, iniciada na estrofe 19 do Canto I.

Narração «in media res»

Como era de regra nos poemas épicos, a narração da viagem vai iniciar-se «in media res», isto é, já a meio do seu percurso. Os navegadores são colocados «no largo Oceano», aproximadamente na zona do Canal do Moçambique, ou seja, na zona que eles começam verdadeiramente a «descobrir». A parte inicial da viagem entre Lisboa e Melinde será mais tarde narrada por Vasco da Gama (narração homodiegética, isto é, feita por um narrador participante, em discurso de 1ª pessoa), num processo de retrospectiva ou analepse.

Ligação Viagem/Deuses

Camões inicia a narração na estrofe 19, para logo interromper na estrofe 20, introduzindo nela a primeira narração maravilhosa, a do Consílio dos Deuses no Olimpo. Assim se ligam, na narração da acção central do Poema, dois planos narrativos da obra: o plano da VIAGEM e o plano dos DEUSES.

«Já no largo Ocenao navegevam
As inquietas ondas apartando
…………» – estr. 19
Quando os Deuses no Olimpo luminoso…» estr. 20

É impossível ler, isoladamente, em separado, cada uma destas estrofes, visto elas integrarem uma grande frase, em que duas orações se ligam por uma conjunção temporal – «quando». Enquanto na estrofe 19 o sujeito da oração principal é subentendido, «eles», os navegadores, os humanos, na estrofe 20 o sujeito da oração subordinada temporal iniciada por «quando» é «os Deuses».
Navegação dos homens / caprichos dos Deuses ficarão, assim, indissociáveis, desde o início da narração. A acção central d`Os Lusíadas será, pois, constituída pela narração de uma viagem em que interferem os deuses, em confronto entre si e os homens.

CONSÍLIO DOS DEUSES NO OLIMPO

A partir da estrofe 20 e até à estrofe 41 será feita a 1ª narração maravilhosa do Poema – a do Consílio dos Deuses no Olimpo.
A realização deste 1º Consílio, ou assembleia, dos Deuses, marca o momento exacto em que os Deuses são chamados a intervir, pronunciando-se sobre o destino dos humanos que navegam em mares desconhecidos, num empreendimento novo, extremamente importante para o futuro dos próprios deuses, como o reconhecerão Vénus, Marte e Baco.

Posições assumidas

Júpiter – Pai dos Deuses, convoca o consílio e diz da sua decisão de facilitar que os fados se cumpram, ajudando os Portugueses. Desempenha a função de destinador, visto a ele competir, em última análise, tomar posição a favor ou contra os portugueses.

Baco – deus das paixões, dos vícios, do vinho, será o oponente dos portugueses. Teme que o seu prestigio no Oriente venha a ser substituído pelo dos Portugueses. Mais tarde, no canto VI, dirá que teme que não só ele, mas todos os deuses, venham a tornar-se humanos e os humanos deuses. Ao ver a sua posição vencida, tomará a iniciativa de várias traições contra os portugueses.

Vénus – deusa da beleza e do amor, mãe lendária de Eneias, fundador do povo romano. É a principal adjuvante dos portugueses. Porquê? Porque entende, por um lado, que os portugueses se assemelham muito aos romanos: na coragem, na ousadia, na língua, derivada do latim; por outro lado, porque pensa vir a ser celebrada pelos portugueses, se eles chegarem à Índia. Não só no Consílio, como sempre que Baco urdir traições, ela defenderá e ajudará os portugueses, intercedendo por eles, inclusive junto de Júpiter.

Marte – antigo apaixonado de Vénus, deus da guerra, profere um discurso decisivo em favor dos portugueses. Será após a sua intervenção que Júpiter tomará a decisão definitiva quanto à ajuda aos portugueses. Marte, assume, assim, uma posição favorável aos Portugueses, por duas razões: o “amor antigo” que o ligava a Vénus, primeira defensora da causa lusitana, a bravura dos Portugueses, que o próprio Júpiter, no seu discurso, tinha reconhecido. Marte considera ainda suspeitas as razões de Baco, considera-o invejoso.




 

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